Automação em farmácias: 7 impactos para o futuro do varejo

Entenda como a automação em farmácias pode transformar estoque, espaço, produtividade e atendimento a partir da experiência da Gollmann....

Automação em farmácias já não é uma discussão apenas sobre tecnologia. À medida que a operação do varejo se torna mais complexa, automatizar processos passa a fazer parte de uma conversa maior sobre produtividade, disponibilidade de profissionais, melhor aproveitamento do espaço, controle de estoque e qualidade do atendimento.

Essa é uma das principais reflexões de Daniel Gollmann, fundador e CEO da Gollmann Picking Systems, em entrevista publicada originalmente em alemão pela revista AWA – Apotheke & Wirtschaft. O conteúdo aborda o mercado de farmácias na era da automação, a trajetória de 20 anos da Gollmann e a visão da companhia sobre o futuro do setor.

Embora alguns dados e contextos apresentados estejam diretamente relacionados ao mercado alemão, a discussão levanta questões que também fazem sentido quando olhamos para os desafios das farmácias brasileiras.

Afinal, como usar tecnologia para tornar a operação mais eficiente sem perder aquilo que existe de mais importante no varejo farmacêutico: a relação entre pessoas?

1. Automação em farmácias também responde à falta de profissionais

O mercado alemão de automação passou por diferentes momentos nos últimos anos.

Durante a pandemia, muitas farmácias aceleraram investimentos em tecnologia. Depois, houve uma desaceleração. Mais recentemente, segundo Daniel Gollmann, um novo fator passou a impulsionar a demanda: a pressão causada pela falta de profissionais. É nesse cenário que a automação em farmácias ganha outra dimensão.

Atividades como armazenar medicamentos, organizar produtos e buscar embalagens no estoque consomem tempo de profissionais que poderiam estar dedicados a funções de maior valor.

Como resume Daniel Gollmann na entrevista, os equipamentos passaram, em grande medida, a preencher lacunas deixadas por pessoas que já estão faltando na operação.

Mas isso não significa simplesmente trocar pessoas por máquinas. Na maioria dos casos relatados pela companhia, a capacidade liberada pela automação é direcionada para outras atividades, especialmente aquelas relacionadas ao atendimento e aos serviços farmacêuticos.

A lógica é simples: se uma máquina pode executar uma atividade repetitiva, o tempo das pessoas pode ser utilizado onde conhecimento, relacionamento e tomada de decisão realmente fazem diferença.

2. Mais automação pode significar mais tempo para o paciente

Um dos pontos mais interessantes da entrevista está justamente na relação entre tecnologia e atendimento. Na visão de Gollmann, quanto mais processos operacionais são automatizados, maior pode ser a disponibilidade da equipe para estar diretamente com os pacientes.

Ele destaca que o contato pessoal e a relação de confiança continuam sendo grandes diferenciais das farmácias físicas.

É também nesse ponto que ele estabelece uma diferença entre automação, inteligência artificial e interação humana: existem tarefas que a tecnologia pode assumir com enorme eficiência, mas outras continuam dependendo essencialmente das pessoas. Por isso, falar em automação em farmácias não significa necessariamente falar em operações com menos pessoas.

Pode significar operações em que as pessoas conseguem dedicar menos tempo ao trabalho repetitivo e mais tempo àquilo que realmente importa para o cliente.

3. Automação em farmácias ajuda a aproveitar melhor cada metro quadrado

Espaço é um recurso estratégico no varejo.

Estoque, circulação, exposição de produtos, balcão e áreas de atendimento disputam os mesmos metros quadrados. E ampliar a capacidade da operação nem sempre significa ter condições de ampliar fisicamente a loja. Esse foi um dos desafios considerados no desenvolvimento dos sistemas Gollmann.

Os equipamentos utilizam uma tecnologia patenteada de prateleiras móveis, posicionadas próximas umas das outras e movimentadas automaticamente sobre trilhos para permitir que o sistema acesse o local correto de armazenamento. Com isso, é possível aumentar a quantidade de medicamentos armazenados em uma área reduzida.

A modularidade é outro ponto importante. Os sistemas podem ser adaptados ao tamanho e ao formato de diferentes ambientes. A estrutura também pode ser preparada para futuras ampliações, permitindo que a capacidade acompanhe o crescimento da farmácia.

Em outras palavras, a automação em farmácias também pode ser uma ferramenta de otimização imobiliária: produzir mais capacidade operacional sem necessariamente exigir mais espaço.

Para conhecer a tecnologia disponível no Brasil, acesse a Zetti Automation.

4. Do recebimento à dispensação: menos trabalho manual no estoque

O impacto da automação não acontece apenas no momento em que um medicamento é solicitado no balcão.

Segundo a Gollmann, cerca de 90% dos equipamentos são fornecidos com carregamento de estoque totalmente automatizado.

Na prática, o sistema consegue receber os medicamentos e executar automaticamente diferentes etapas da operação.

Entre elas estão a identificação do produto, a leitura de informações como lote e validade pelo DataMatrix, a definição da posição de armazenamento e a conciliação da entrada da mercadoria com o sistema de estoque.

Isso reduz uma série de tarefas manuais que, além de consumirem tempo, podem aumentar a exposição da operação a divergências e retrabalho.

É nesse ponto que automação em farmácias e gestão de estoque começam a se encontrar.

Não basta movimentar um produto mais rapidamente. É preciso saber qual produto está armazenado, onde está, qual é seu lote, qual é sua validade e quando ele precisa chegar ao balcão.

Quanto mais confiável essa informação, maior a capacidade de tomar decisões com precisão.

Leia também: Automação não é luxo, é sobrevivência na fase atual do varejo farmacêutico.

5. Automação exige confiabilidade, manutenção e suporte

Existe uma consequência natural da automação: quanto mais importante uma tecnologia se torna para a operação, maior precisa ser sua disponibilidade. Por isso, a entrevista também dedica espaço à estrutura de atendimento construída pela Gollmann na Alemanha.

A empresa possui uma rede com 50 pontos de serviço, atendimento próprio 24 horas por dia e compromisso de resposta em até duas horas. De acordo com Daniel Gollmann, em caso de falha, a companhia trabalha para que o equipamento esteja novamente em operação até o dia seguinte, no máximo.

Além disso, as máquinas são conectadas, permitindo a resolução remota de diferentes ocorrências.

A companhia também trabalha com manutenção preditiva. Em algumas situações, um possível problema pode ser identificado antes mesmo que o cliente perceba alguma alteração no funcionamento do equipamento. O aprendizado vale para qualquer projeto de automação em farmácias: não basta avaliar apenas a capacidade da tecnologia.

É necessário considerar todo o ecossistema que a sustenta:

  • suporte;
  • manutenção;
  • disponibilidade;
  • integração;
  • atualização;
  • continuidade operacional;
  • capacidade de resposta.

Automatizar um processo crítico sem pensar nesses fatores pode apenas transferir o gargalo de lugar.

6. Equipamentos projetados para acompanhar a operação por anos

Outro aspecto destacado no artigo é a vida útil dos equipamentos. Quando Daniel Gollmann elaborou o plano de negócios da companhia, em 2006, projetava uma vida útil média de aproximadamente dez anos para as máquinas.

Na prática, segundo a empresa, muitos equipamentos permanecem em funcionamento por mais de 15 anos. Quando começam a se aproximar dos 20 anos, a recomendação passa a ser avaliar a substituição.

Entre os motivos estão o aumento progressivo do risco de falhas, o maior custo de manutenção e as dificuldades naturais para manter atualizações de hardware e software em equipamentos muito antigos.

O dado traz uma discussão relevante para qualquer investimento em automação em farmácias. O cálculo não pode considerar somente o custo de aquisição. É preciso olhar para o ciclo de vida completo da tecnologia, considerando capacidade de evolução, manutenção, atualização e retorno operacional ao longo dos anos.

7. Automação em farmácias tende a deixar de ser exceção

Na Alemanha, Daniel Gollmann acredita que a automação deve se tornar cada vez mais presente nas farmácias.

Segundo a estimativa apresentada na entrevista, existem pouco menos de 8 mil equipamentos automatizados instalados no mercado alemão. Aproximadamente metade seria da Rowa, um quarto da Gollmann e o restante estaria distribuído entre outros fabricantes.

A Gollmann, por sua vez, possui aproximadamente 4 mil sistemas instalados em 32 países e cinco continentes. Cerca de 1.800 estão na Alemanha.

Daniel acredita que, dentro de dez anos, será difícil encontrar uma farmácia alemã operando sem algum sistema de dispensação automatizada.

É importante considerar que essa projeção foi feita especificamente sobre o mercado alemão.

O Brasil tem características próprias de operação, estrutura física, mão de obra, regulação e dinâmica de mercado. Portanto, não faria sentido simplesmente transportar essa previsão para cá. Mas a direção da discussão merece atenção.

Também no varejo farmacêutico brasileiro, operações precisam lidar diariamente com desafios de estoque, produtividade, espaço, custos, velocidade de atendimento, disponibilidade de pessoas e necessidade de crescer com controle.

É nesse cenário que a automação em farmácias deixa de representar apenas modernização tecnológica e começa a fazer parte da estratégia operacional.

O tema já aparece, inclusive, em outros formatos de varejo. Veja também: Farmácias em supermercados: como a tecnologia está transformando o futuro do varejo farmacêutico.

Tecnologia para devolver tempo às pessoas

Talvez a principal reflexão da entrevista com Daniel Gollmann não esteja na capacidade de uma máquina armazenar ou dispensar medicamentos. Está no que acontece depois que ela passa a fazer isso.

Ao retirar atividades repetitivas da rotina, a tecnologia pode devolver tempo para a equipe atender, orientar, analisar, decidir e se relacionar com o cliente. Esse princípio vai muito além da automação em farmácias. É parte de uma transformação maior do varejo: usar tecnologia não simplesmente para fazer mais, mas para permitir que pessoas e negócios usem melhor seus recursos.

Na Zetti, entendemos a automação dentro dessa lógica. Tecnologia, dados, gestão e inteligência precisam trabalhar juntos para reduzir a complexidade dos bastidores e tornar a operação mais eficiente, previsível e preparada para crescer. Porque o objetivo final da automação não deveria ser colocar mais máquinas dentro de uma farmácia. Deveria ser construir uma operação melhor para quem administra, para quem trabalha e para quem é atendido por ela.

Sobre a entrevista

Este artigo foi desenvolvido a partir da entrevista de Daniel Gollmann, fundador e CEO da Gollmann Picking Systems, concedida ao editor-chefe Hubert Ortner e publicada originalmente em alemão pela revista AWA – Apotheke & Wirtschaft, edição 16/2026.

Alguns dados, projeções e análises apresentados no conteúdo dizem respeito especificamente ao mercado alemão. Esta versão foi adaptada pela Zetti para apresentar ao público brasileiro os principais temas e reflexões abordados na publicação original.

Leia a entrevista original, em alemão, na AWA – Apotheke & Wirtschaft.

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