O mercado farmacêutico brasileiro está vivendo uma transformação sem precedentes. Se antes o sucesso de uma farmácia era medido pelo número de lojas em uma rede, hoje o jogo mudou. O novo paradigma foca em eficiência operacional, inteligência de dados e automação física.
Para entender essas mudanças, conversamos com Ivan Engel, executivo da Close-up International com 23 anos de experiência no setor. Neste bate-papo, exploramos como as farmácias podem faturar mais através de um sortimento inteligente e como a Inteligência Artificial (IA) está prestes a assumir o controle dos estoques.
1. O mito do tamanho: Sortimento é o novo poder
Um dos maiores insights trazidos por Ivan Engel é que o faturamento elevado de uma farmácia está diretamente ligado à amplitude do seu sortimento e não necessariamente ao tamanho da rede.
Estudos estatísticos mostram que o alto faturamento médio por loja é essencial para diluir o custo de mão de obra — a maior despesa do setor. Para uma farmácia de alta performance, a média ideal gira em torno de 5.000 SKUs (itens), e a capacidade de competir “loja a loja” é o que define os vencedores.
2. HaaS e HaaS: O “cérebro” e o “corpo” da nova farmácia
A evolução do setor passa pela integração de dois conceitos fundamentais:
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Health as a Service (HaaS): Inspirado no modelo americano, o HaaS transforma a farmácia em um centro de serviços de saúde, utilizando a mão de obra do farmacêutico para fidelizar o consumidor através do cuidado e acompanhamento. Este é o “cérebro” da operação.
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Hardware as a Service (HaaS): Representado pelo Pharmatrack da Zetti, este é o “corpo” que executa a estratégia. Trata-se de uma plataforma física de automação que organiza milhares de itens e permite modelos de negócios inovadores, como a consignação baseada no consumo real.
3. A era da gestão autônoma com IA
A digitalização acelerada — com 27% das vendas das redes Abra Farma já ocorrendo por canais digitais em 2025 — exige uma gestão de estoque impecável.
Segundo Engel, o próximo passo evolutivo é a IA comandar a reposição autônoma do estoque, integrando dados de demanda diretamente ao hardware (robô). Isso libera o gestor humano de cálculos matemáticos complexos e sazonais (como surtos de doenças ou promoções), reduzindo drasticamente a ineficiência por falta de produtos e destravando o capital de giro.
4. Novos nichos: GLP1 e cannabis medicinal
O artigo também destaca as oportunidades em categorias de alto valor e complexidade. Os medicamentos GLP1 (como o Monjaro) viram suas vendas mensais saltarem de R$500 milhões para R$1,5 bilhão em apenas um ano.
Categorias como essa e a cannabis medicinal exigem um controle rigoroso de segurança e rastreabilidade. Sistemas de monitoramento remoto e controle total, como o Pharmatrack, dão à indústria a confiança necessária para colocar esses estoques valiosos também em farmácias de médio porte, garantindo que o paciente sempre encontre o tratamento de que precisa.
Conclusão: A mudança do modelo mental
A tecnologia está avançando mais rápido do que nunca. Para Ivan Engel, o sucesso no futuro do varejo farma não depende apenas de adotar novas ferramentas, mas de uma mudança no modelo mental dos gestores. Quando os dados se encontram com o hardware, o ecossistema para de perder acesso e passa a ganhar eficiência operacional real.
Assista à entrevista completa no vídeo abaixo e descubra como preparar sua farmácia para esta nova era: